DO MODO DE PENSAR E DO COMPORTAMENTO LINEAR PARA O CIBERNÉTICO

de Wolfgang Mewes *, Frankfurt 1976


A analogia entre os processos de crescimento sociais e biológicos, conduziu a novas formas de reflexão sobre o modo de pensar e do comportamento: será que nós homens, no fundo, pensamos e agimos correctamente? Seriam de imaginar outros modos de pensar e agir? Hoje, as tensões dentro do homem, entre os homens, assim como entre o homem e o meio-ambiente, crescem. Será que aquelas tensões poderão ter a sua origem num modo de pensar e de agir errado de princípio? Com efeito, muitos indícios apontam nesta direcção.

O PENSAR LINEAR

Com a cientificação de todos os sectores da vida proliferou a reflexão linear-abstracta. Enfocam-se e perseguem-se objectivos e desenvolvimentos isolados uns dos outros. Assim, pensa-se poder melhorar, p.ex., a formação escolar, a segurança social, a prosperidade, a igualdade, a investigação, a co-gestão, a astronáutica, o armamento, a assistência a países subdesenvolvidos, etc., ao mesmo tempo e sem considerar interdependências. Cada um persegue o seu próprio ideal. Não se toma em consideração que cada um daqueles desenvolvimentos representa apenas um desenvolvimento entre muitos, de interligação subconsciente entre eles, nunca se tratando de melhorar isoladamente cada um dos desenvolvimentos, mas sim o desenvolvimento no seu todo, composto por um sem-fim de desenvolvimentos singulares.

O exemplo da teoria oficial da gestão mostra as causas do actual pensar linear-abstracto: ainda século XX adentro os empresários sentiram, subconscientemente, além do mero ganhar dinheiro, obrigações morais, culturais e sociais. Sob a cientificação da gestão e alta direcção de empresas, porém, o objectivo do lucro tornou-se objectivo único, ficando todos os restantes objectivos postos de lado como irrelevantes. Com efeito, os gestores hoje em dia apenas tomam medidas orientadas para o lucro - e são obrigados a proceder desta forma porque só este padrão do sucesso é aceite pelos seus superiores. Todos os outros objectivos como, p.ex., morais, culturais e sociais foram reprimidos, ficando apenas 'permitidos' na medida em que sirvam ao objectivo linear, o lucro. Todavia, são precisamente aqueles sentimentos reprimidos que, subconscientemente, ligam o individuo com o todo.

Desta maneira, pessoas com sentimentos tornaram-se sob a cientificação linear e abstracto robots fazedores de dinheiro. Quem agir de forma diversa é apontado como não científico e inconsequente, embora seja, na realidade, apenas menos "tapado". Separou-se o desenvolvimento dos factores capital/lucro dos desenvolvimentos envolventes psíquicos, sociais, biológicos e outros, conferindo-lhe, assim, uma autonomia que ele na realidade não possui. O facto de se agir na prática de forma menos linear, não é no entanto de agradecer ao ensino oficial da economia e gestão, mas unicamente ao resto de sentimentos não científicos nas pessoas que a cientificação ainda não foi capaz de reprimir


O PENSAR CIRCULAR

Um outro modo de pensar é o 'pensar circular'. Tem o seguinte lema: tudo se desenvolve automaticamente. Não é, portanto, objectivo supremo do pensar circular perseguir-se objectivos próprios, mas antes viver-se a vida perfeita, o que poderá consistir numa integração, quanto mais melhor, na natureza e nas suas leis. O pensar circular dá mais valor à intuição, isto é, o pressentir dos contextos, do que ao saber exacto. Tudo quanto é material é tido apenas como materialização passageira de um espírito mundial. Trata-se de um conceito que ultimamente também ganha seguidores no ocidente. São eles não apenas os seguidores da cibernética-energética, mas também físicos de renome e biólogos, só que eles em vez de chamar 'espírito mundial' à força invisível e criadora, lhe chamam 'energia'.

À primeira vista, o comportamento, p.ex., das plantas parece corresponder a este pensar circular: elas aceitam resignadamente primavera, verão, outono, inverno, assim como a abundância e a falta nutritiva. Elas aparentemente encontram-se entregues ao automatismo dos acontecimentos internos e externos. Contudo, isto é um engano. Na realidade, as plantas comportam-se orientadas para o factor de estrangulamento, respectivamente o factor mínimo - o que significa: elas concentram as suas forças no factor mímino, isto é, o ponto cibernético mais eficaz do qual depende o seu desenvolvimento. Assim, p.ex., elas procuram suprir a falta de um determinado mineral pela formação acelerada de raízes, a falta de sol, dirigindo ramos na direcção do mesmo. Elas esforçam-se, portanto, da melhor maneira, para influenciar o automatismo dos acontecimentos internos e externos, no sentido de dirigir as forças ao 'seu próprio moinho', valendo-se para isso do ponto cibernético mais eficaz.

Conclusão: sob o pensar linear altera-se demais e demasiadamente independente um do outro, sob o pensar circular altera-se a menos. Quando o comportamento linear conduz a uma explosão para todos os lados e um rasgar do naturalmente crescido, o pensar circular, por outro lado, conduz a um estéril andar-às-voltas. É possível identificar-se no comportamento das plantas um princípio para um melhor pensar e agir: concentrar as próprias forças no respectivo ponto mais eficaz para um desenvolvimento natural, acelerando desta maneira a sua evolução natural. Aqui tem lugar a melhor forma de uma conjugação entre as forças inerentes a qualquer desenvolvimento natural (forças da evolução) e as próprias.

O PENSAR CIBERNÉTICO (ESPIRAL)

O terceiro modo de pensar é o pensar cibernético. Trata-se praticamente de uma combinação de ambas as outras citadas. Em vez de dispersar-se com problemas singulares arrancados do seu contexto natural, optimiza-se, no seu todo e a partir do respectivo factor mínimo, um processo natural de desenvolvimento.

Isto fica evidente com maior nitidez na cooperação entre agricultor e planta: o agricultor não interfere no processo natural do desenvolvimento da planta, ordenando-lhe formar folhas acerosas em vez de folhas largas, mas excerce influência sobre o seu processo natural de desenvolvimento no seu todo, concentrando-se a superar o seu maior obstáculo, o seu factor mínimo.

Tal como nas relações biológicas, verifica-se o mesmo efeito do pensar cibernético nas relações sociais. O efeito não é propositadamente construido, desenvolvendo-se sozinho. Isto acontece através da permanente alteração das relações subconscientes de tensão que surtem efeito, começando pelas mais minúsculas células de albumina no cérebro, seguido pelas células do corpo e acabando nos colegas da empresa, assim como em todos os agentes económicos do respectivo ramo de actividade. Aquele que pensa de modo cibernético, altera as relações de tensão psíquicas, biológicas e sociais. Sob as relações de tensão alteradas, as moléculas, células, pessoas e empresas envolvidas começam a sentir, pensar e agir de forma diferente. É então que o 'lado-a-lado' e o 'um-contra-outro' dos subconscientes automatismos psíquicos, biológicos e sociais, cede lugar a um crescente 'um-com-o-outro'. De facto, isto é dificil de imaginar, mas fica vagamente reconhecível nos automatismos despoletados pelo agricultor na planta e vice-versa.

O pensar cibernético combina as vantagens do pensar linear e do circular, eliminando as respectivas desvantagens. Constitui vantagem do pensar linear conseguir-se levar por diante desenvolvimentos singulares de uma forma extraordinariamente expansiva. Basta pensar na astronáutica. Sob os desígnios do pensar linear o homen desenvolve o maior efeito possível, ficando, no entanto, unilateralmente desequilibrado e perdendo a coordenação com o desenvolvimento no seu todo. Ao tomar consciência daquele desequilíbrio reage, perseguindo então crescentemente mais e mais objectivos ao mesmo tempo, sendo este comportamento disperso que o leva à ineficácia. A vantagem do pensar circular constitui em contrapartida precisamente aquela união com os acontecimentos naturais e a sua harmonia. Contudo, sob o pensar circular o homem toma consciência das superiores forças da natureza que tudo influenciam e acaba por sentir-se demasiado pequeno e fraco para poder alterar seja o que for. Deste modo, a evolução gira aos círculos, não progredindo, porque o homem deixa de fazer os possíveis para tal.

Sob o pensar cibernético o homen concentra as suas forças linearmente no respectivo ponto mais eficaz de um processo de desenvolvimento natural. Deste modo, em vez de perseguir objectivos próprios arrancados do seu contexto natural, presta ajuda ao desenvolvimento natural, para este alcançar os seus objectivos mais depressa. Com isto integra-se conscientemente nos processos naturais, exactamente no lugar mais eficaz, isto é, naquele ponto onde lhe é possível fomentar melhor os mesmos. Neste processo são as alterações do factor mínimo que asseguram o contacto do homem com o todo, indicando-lhe quando e como deve alterar o seu comportamento. Ele age, portanto, por um lado de forma linear e, por isso, com o maior efeito possível e por outro, em coordenação óptima com o todo, mercê da sua orientação para o respectivo factor mínimo.

O resultado total constitui uma crescente aceleração da evolução natural, sempre accionada a partir dos respectivos pontos críticos. O homem começa a agir crescentemente em conformidade com a evolução. Na combinação entre homem e processo natural o seu pensar linear acaba por materializar-se, pela via dos processos naturais circulares, num desenvolvimento espiral.

* Wolfgang Mewes, investigador de sistemas de Frankfurt/Alemanha, publicou em 1971 a sua obra "DIE KYBERNETISCHE MANAGEMENTLEHRE (EKS)" (A TEORIA DA GESTÃO CIBERTNÉTICA), significando EKS em português "Estratégia de Concentração no Estrangulamento" ou factor mínimo cuja falta obsta ao desenvolvimento (de pessoas e empresas)". Em 1990 - os direitos EKS® foram adquiridos pela Frankfurter Allgemeine Zeitung - publicou sob o título "DIE EKS-STRATEGIE" uma obra actualizada baseada na anterior, da qual uma versão concentrada foi traduzida para o português: "A ESTRATÉGIA EKS". A mesma dispõe de instrumentos concretos e precisos para empresários e gestores poderem alcançar o sucesso. Hoje, 28 anos depois, o modelo EKS, cuja exactidão foi corroborada por cerca de 100 dissertações científicas, encontra-se amplamente divulgado em muitos países, apresentando uma longa lista de milhares de sucessos genuínos e duradouros a nível de empresas, carreiras e profissões liberais, sucessos esses que face ao grande desafio da mudança paradigmática em curso, não param de crescer. Peça informações completas sobre a ESTRATÉGIA EKS.

Extracto do livro "DIE EKS-STRATEGIE * HINTERGRÜNDE - VISIONEN - ERFOLGE * WOLFGANG MEWES ZUM 70.GEBURTSTAG" © 1994 Frankfurter Allgemeine Zeitung GmbH Informationsdienste, D-60267 Frankfurt/M * Tradução e divulgação em Portugal: 1996 - Rolf Dahmer - Consultor de Estratégia - Rua Gil Vicente, 66 RC/E - 2765 S.João do Estoril - Telef. + Fax (01) 468 89 85


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